Segunda-feira, 8 de Janeiro de 2007

Nós e o Lucky Luke

Lucky Luke

O Lucky Luke é um profissional com um grau elevado de mobilidade geográfica. Nas suas aventuras vai criando uma rede de contactos espalhados no território do continente americano. Tem uma identidade nacional definida mas actua com base nas necessidades locais de um mercado extenso e diversificado, onde os agentes económicos podem ser desde reclusos em fuga até aristocratas ingleses. É um optimista, habituado a viajar sozinho e trabalha bem a solo ou em equipa. Como qualquer bom viajante, adapta-se aos hábitos locais. Num dia pode estar a beber um café com leite na companhia de um agente da polícia montada canadiana e, no dia seguinte, a interpretar Shakespeare com uma companhia de teatro deambulante. Ademais, apesar da sua capacidade de integração junto dos locais, não deixa de conseguir identificar-se com outros viajantes, como Calamity Jane ou Bill the Kid.

Para aqueles que conheceram na sua juventude este cowboy de origem franco-belga, cada livro era uma colecção de viagens, personagens e desafios diferentes. Agora que faço a mala para Bruxelas, não deixo de sentir que Portugal está a enviar os seus “Lucky Lukes de carne e osso” para os quatro cantos do mundo.

Mas há algumas diferenças que nos separam deste herói mais rápido do que a sua própria sombra. Para começar, os desafios que temos pela frente fomos nós que colocámos a nós próprios. Tomámos uma decisão consciente e não acordámos a meio da manhã com um bilhete de avião e as malas prontas. O homem que fala com o seu cavalo vive a sua vida em quadradinhos ao sabor do vento.

Outra diferença é que possuímos família e amigos que, como a gravidade, nos mantêm ligados a um lugar, a um tempo. Não somos o viajante deambulante que ruma em direcção ao pôr do sol no horizonte. A pistola e o cavalo deram lugar ao portátil e companhias aéreas “low cost”.

Mas mais importante ainda é que, vivendo nós num mundo globalizado, se formos os heróis das nossas aventuras, não podemos acabá-las a cantar “I´m a poor lonesome cowboy”. Esse não é o herói contemporâneo.

publicado por Miguel@Bélgica às 17:38
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